Agora > VIVA GUARAPUAVA

Jota Maria, a voz que ajudou a cunhar o regionalismo no rádio guarapuavano

Radialista faleceu nesta terça-feira, aos 69 anos, em Guarapuava

15/05/2024

O rádio tem uma magia, que é fazer da mensagem pela voz uma potencializadora da imaginação. É como uma música, que libera os sentimentos. O radialista faz com que seus ouvintes visualizem no imaginário o que ele propaga contando histórias, reportando fatos, entrevistando, debatendo ou, mesmo, promovendo entretenimento.

O radialista João Maria Ferreira Dangui, o Jota Maria, era um dos últimos da velha guarda do radialismo guarapuavano, herdeiro dos "tempos de ouro" – uma época que não existia internet, os jornais impressos eram de restrita circulação, e o rádio cumpria a função primordial de chegar à grande massa de público.

Em Guarapuava, em particular, o rádio sempre teve uma missão especial, o meio para chegar às comunidades mais longínquas na maior área territorial do Paraná.

Ser radialista era um misto de repórter, comentarista, vendedor e criador de publicidade, apresentador e animador de programas musicais. Um "influencer" sem recursos de Tik-Tok, era talento puro.

Jota Maria trazia no sangue o DNA do tio Antônio Lustosa de Oliveira – o João do Planalto. Fundador das rádios Atalaia e Difusora (hoje com o Grupo Mattos Leão), Lustosa foi deputado, jornalista, escritor – um dos ícones da política, história, literatura e do empreendedorismo da comunicação em Guarapuava, sobre quem pouco (ou quase nada) foi lembrado pelas últimas gerações de moradores da Terra de Padre Chagas.

Contextualizar Lustosa de Oliveira tem um significado especial na morte de Jota Maria. Era ele, o João do Planalto, com esse pseudônimo folclórico do jornalismo de então, lá pelos idos de 1920, que traduzia por ondas sonoras o cotidiano de uma Guarapuava que era vista e visitada pelo desenvolvimentismo do Paraná. 

Jota Maria foi filho dessa geração de comunicadores, sabendo, ao seu tempo, a missão do aprendiz que começou como oficce-boy, chefou à técnica (sonoplastia), auxiliar nas transmissões esportivas, no faturamento da emissora (Difusora), até ter o seu próprio programa de audiência popular, de música e entretenimento.

João Maria Ferreira Dangui chegou em Guarapuava aos 13 anos (em 1967), vindo de sua terra Natal, Mangueirinha, e nos deixou nesta terça-feira (14), aos 69, vítima de complicações cardíacas. Seu corpo está sendo velado na capela Pax Cristo Rei, no Trianon, e será sepultado no Cemitério Municipal, em horário a ser marcado. Ele deixa três filhos: João Thives Dangui, Vanessa Dangui Silva e Marcos Vinicios Lustoza Dangui.

(PAULO ESTECHE)

    Últimas Notícias