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Estudantes de medicina da Unicentro fazem estágio em hospitais de Irati e Pitanga

Futuros médicos relatam a importância de aplicar conhecimentos na prática

08/04/2024

O convênio entre a Unicentro e hospitais de Pitanga e Irati foram essenciais para que a turma do 5º ano do curso de medicina pudesse iniciar suas experiências, colocando na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. O internato, como é chamado, tem duração de dois anos, quatro semestres intensivos, na base da formação dos futuros médicos. Durante esse período, eles são acompanhados por profissionais que atuam no cotidiano das unidades básicas e hospitalares. É o que os estudantes pretendem alcançar nas unidades básicas de saúde de Guarapuava e encontram dificuldades, devido a detalhes de ordem jurídica e de falta de recursos orçamentários da Unicentro.

Para viabilizar as atividades de internato no ano passado, a Unicentro firmou convênios de cooperação com hospitais de Guarapuava, e também de Irati, onde são realizados os estágios em cirurgia e em ginecologia e obstetrícia e de Pitanga, para as atividades na área de saúde mental e saúde da família. Ao todo, são 38 estagiários.

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Thaisla Harumi Borges Furuyama e Tiago Arse Ramalho foram os primeiros alunos recebidos pela Santa Casa de Irati no internato em ‘Cirurgia’. A dupla pode acompanhar os procedimentos cirúrgicos e os atendimentos no pronto-socorro, na UTI e na enfermaria do hospital. “A gente teve bastante aprendizado prático de alguns procedimentos, como fazer coisas básicas de sondagem, intubação… O pessoal foi muito receptivo, muito paciencioso com a gente. Foi uma experiência muito legal, mesmo”, comenta Tiago.

IMERSÃO EM ESPECIALIDADES

Durante o internato, os grupos de alunos têm sete semanas para experienciar cada uma das cinco áreas de atuação. Thaisla enfatiza que esse rodízio ajuda na definição do ramo em que pretendem atuar futuramente. “Acho que o importante é a gente chegar no internato e ficar bem aberto para todas as oportunidades, ver e pegar um pouquinho de cada área. O internato vai ser esse momento para a gente entrar mesmo, como se fosse uma imersão em cada especialidade, e ver o que vamos optar”, avalia.

Os estagiários da Unicentro em hospitais de Guarapuava, Irati e Pitanga relatam experiências com a prática no dia a dia dos hospitais da região

Em ginecologia e obstetrícia’ os alunos Alisson Ferraz e Eduarda Dal Pisol Schwab iniciaram o primeiro rodízio. Eles acompanharam os médicos plantonistas na Maternidade da Santa Casa de Irati. “Eles estão muito abertos para ensinar tudo do dia a dia deles. Estão perguntando o que a gente já teve e o que a gente não viu, e estão dispostos a ensinar todas as partes que a gente não sabe. Então, isso é muito legal”, ressalta Alisson.

MÉDICOS APROVAM

O médico Ladislao Obrzut Neto, que é provedor da Santa Casa de Irati, conta que essa é a primeira vez que a instituição recebe alunos de internato. Ele enfatiza que a presença dos estudantes no hospital tem sido benéfica para ambas as partes, pois proporciona um aprendizado mútuo. “Ele [o aluno] vem a somar fazendo com que o profissional tenha a necessidade de estar se aprimorando, porque ele terá que explicar para o aluno o que ele está fazendo. Essa é a primeira vantagem, é fazer com que a qualidade técnica cresça”, pontua.

Já em Pitanga, os alunos têm atuado em unidades básicas de saúde – dois deles no posto de Estratégia de Saúde da Família (ESF) Maristela e outra dupla no ‘Postão’, como é conhecido o posto de saúde localizado na região central do município. A coordenadora de atenção primária da Secretaria de Saúde de Pitanga, Rejane de Genova, explica que as unidades foram escolhidas pela possibilidade diversa de aprendizado. Enquanto o Postão é uma unidade mista, com atendimento básico e de emergência, a ESF Maristela está localizada em uma das áreas de maior vulnerabilidade do município. “A gente considera ela uma unidade rica em aprendizagem devido a algumas doenças emergentes que nós temos no território. [Os alunos] Estão auxiliando os preceptores, que são os médicos aqui das unidades, em procedimentos, suturas, lavagens de ouvido, ataduras gessadas, leituras de eletrocardiogramas, atuam também na parte de observação clínica”, relata a coordenadora.

Os estudantes Lucas Packer Arthur e Letícia Marina da Silva fizeram parte do primeiro grupo de alunos a estagiar em Pitanga. Eles passaram duas semanas no município, uma em cada unidade básica de saúde. Para Lucas, o contato com a população rural e com o SUS trouxe grandes aprendizados nesse curto período. “É uma cidade pequena, com grande parte da população de zona rural. Então, temos que estar sempre atentos às prioridades da população. A gente vê muita picada de cobra, pessoas que se machucam, traumas com madeira. A gente sempre tem que estar lidando com essas condutas e aprendendo”, afirma. 

Letícia ainda ressalta a oportunidade de acompanhar e aprender com a rotina dos profissionais da saúde. “Estamos tendo contato com várias coisas que acontecem dentro da UBS, com os pacientes, com o manejo dos casos. O preceptor, no final do dia ou entre uma consulta e outra, discute os casos com a gente, traz à tona alguns conceitos importantes. Então, ajuda a fixar bem o conteúdo. Nõa tem nada como aprender na prática”, conta a acadêmica. 

A expectativa, segundo o professor David, é que as atividades de internato auxiliem os alunos para além do domínio das técnicas, mas também na construção do senso de responsabilidade e do compromisso que a área da saúde exige. “A formação de um médico não é só uma formação teórica, mas é uma formação que envolve toda questão humanística, envolve toda a questão de responsabilidade para o serviço e para o paciente. É o comprometimento com horário, rotina, responsabilidade, respeito à equipe, cordialidade. É isso que a gente espera”, conclui.

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