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Alvo na PF na venda de agrotóxicos falsos trabalhou em cooperativa e movimentou R$ 8,5 milhões em 1 ano

Suspeito, que não está preso, foi surpreendido pela PF em Balneário Camboriú

05/10/2023

Um homem de 30 anos, natural de Manoel Ribas, região Central do Paraná, e com residência atual em Balneário Camboriú (SC), foi o principal alvo da operação “Osmose Reserva”, desencadeada na manhã de hoje (quinta-feira) pela Polícia Federal de Guarapuava, no cumprimento de três mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Ponta Grossa contra uma “organização criminosa” que operava no comércio de agrotóxicos falsificados. O delegado Guilherme Didomenico, responsável pelas investigações, diz ter evidências de que o suspeito – que não está preso – movimentou mais de R$ 8,5 milhões em cerca de 1 ano, de 2020 a 2021, trazendo produtos contrabandeados do Paraguai para o mercado agrícola da região.

O delegado explicou que a prisão não aconteceu, “ainda”, porque o suspeito parou com as vendas há cerca de 6 meses, dificultando um flagrante, por exemplo, e que a operação de hoje foi resultado de informações e elementos probatórios do período em que ele atuou. As denúncias partiram do próprio mercado agrícola, levadas também a órgãos ligados à vigilância sanitária, como a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do governo do Estado.

Equipes da Polícia Federal de Guarapuava e do 16º BPM atuaram em Manoel Ribas. Para Balneário Camboriú, foram deslocados agentes federais de Itajaí (SC). Ao ser abordado, suspeito jogou o celular pela janela, segundo a PF. Prisão dos envolvidos depende de avaliação do Ministério Público

As investigações respaldaram os mandados judiciais de buscas e apreensão, que, por regra, são executados quando há indicativos “reais” para coletas de provas na fase de instrução do inquérito policial. Foram apreendidos cerca de R$ 8 milhões em dinheiro e aplicação financeira, além de imóveis e carros de luxo (uma Mercedes-Benz), boa parte em Balneário Camboriú.

TRABALHOU EM COOPERATIVA AGRÍCOLA

Segundo Guilherme Didomenico, o suspeito trabalhava numa cooperativa agrária e saiu para entrar no contrabando de agrotóxicos irregulares, trazidos do Paraguai. Além de Manoel Ribas, ele também agia em Pitanga. A Polícia Federal investiga quem mais está envolvido com a “organização criminosa”, inclusive os “receptadores” dos produtos. “Vamos chegar neles (os compradores) com certeza”, avisa o delegado.

A operação “Osmose Reserva” começou às 6 da manhã desta quinta-feira, com agentes da Polícia Federal de Guarapuava e policiais-militares do 3º Pelotão do 16º BPM em Manoel Ribas. Em Santa Catarina, a logística foi montada com policiais federais de Itajaí, deslocados para Balneário Camboriú.

JOGOU CELULAR PELA JANELA

Quando os policiais chegaram em Balneário, o suspeito encontrava-se no apartamento  e jogou o telefone pela janela, segundo o delegado Didomenico. O aparelho foi resgatado e está sendo vistoriado para saber com quem o “contrabandista” se comunicava na rede de envolvidos com o tráfico de agrotóxicos. “Nós já sabemos quem são eles, e eles também sabem que já sabemos”, comentou o delegado.

As investigações policiais levam à conclusão, a princípio, que o líder da “organização criminosa” manteve como base a região de Manoel Ribas e escolheu Balneário Camboriú para “lavar dinheiro” e ter uma “vida de luxo”.

ASFIXIA FINANCEIRA

Pelos números revelados pela Polícia Federal, é possível que o volume financeiro tenha sido maior que os R$ 8,5 milhões, pois, além do dinheiro apreendido (R$ 8 milhões), há carros e apartamentos de luxo no disputado mercado imobiliário do litoral de Santa Catarina.

A hipótese de uma prisão preventiva dos implicados depende de uma decisão do Ministério Público, afirma o delegado Guilherme Didomenico. Em nota à imprensa, a Polícia Federal disse que, além de reprimir a venda de produtos em desacordo com as normas sanitárias legais, que podem causar danos à saúde vegetal e humana, a operação visou “asfixiar financeiramente o grupo criminoso” através do bloqueio e sequestro do patrimônio.

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